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MST e o Ibope Sob Encomenda

Por Caetano De’Carli*

O Ibope vem se tornando, nos últimos anos, um instituto reconhecido por fazer pesquisa por encomenda. Até aí, não há em tese um problema muito grave, já que toda pesquisa é encomendada por alguém - seja partidos políticos, canais de televisão, governo etc. O problema, nesse caso, é quando os resultados são encomendados.

Numa pesquisa encomendada pela CNA, o Ibope comete um erro metodológico grotesco a ponto de desconfiarmos da sua capacidade técnica ou da sua intenção política. O método de amostragem ouviu mil entrevistados em 9 assentamentos no Brasil e gerou resultados estatísticos que vão de encontro a uma pesquisa de pelo menos 5 anos do IBGE. Qual é a questão metodológica envolvida na amostragem? De fato, os mil entrevistados não são representativos no contexto geral da Reforma Agrária, já que há assentamentos que, sozinhos, possuem mais gente do que isso.

Mas o erro mais grave, nesse caso, se refere aos 9 assentamentos. Qualquer indivíduo que já visitou um assentamento de Reforma Agrária sabe que há uma tendência, entre as famílias assentadas em um mesmo assentamento, a ter realidades similares. Nesse caso, metodologicamente, não só a quantidade e a variedade de entrevistados devem ser representativas, mas também a variedade e quantidade dos assentamentos de Reforma Agrária. Fazer uma pesquisa nacional somente em 9 assentamentos é uma metodologia tão tosca quanto se fosse somente 9 o número de entrevistados.

Além do mais, a categoria “assentamento” inclui não só os assentamentos do MST e outros movimentos sociais que estão inseridos na luta do povo brasileiro por uma Reforma Agrária justa, mas também os projetos de colonização implementados no período militar. Se fosse intenção do Ibope realizar uma pesquisa para avaliar a produtividade dos assentamentos de Reforma Agrária, deveriam ser tomados todos esses cuidados que os técnicos do Instituto bem conhecem.

A pergunta que fica é: por que isso não foi feito? Será que isso se relaciona com quem pagou a pesquisa? Será que se relaciona com uma série de ataques que a mídia, tão complacente com os crimes do agronegócio (atualmente o Jornal Nacional usa a palavra “suposto” para falar do Massacre de Eldorado dos Carajás), realiza sobre o MST? O Ibope, definitivamente, deu outro significado para o termo “pesquisa realizada sob encomenda”.

*Historiador, doutorando pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e militante do MST

Fonte: MST

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MST contesta versão da Globo sobre ocupação no Pará

Sobre o espisódio, muito reopercutido pelos diversos programas da Rede Globo, em relação à ocupação do MST a uma fazenda na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o movimento esclarece em nota, divulgada, que ''os sem-terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças''.


 Segundo o MST, ''os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar''. A versão vai na contra-mão da difundida pela emissora.


Leia aqui no Vermelho,a íntegra da nota.

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Massacre de Eldorado de Carajás:13 anos e Nenhum Condenado

Passados 13 anos do massacre no Pará, permanecem soltos os 155 policiais que mataram 19 trabalhadores rurais, deixaram centenas de feridos e 69 mutilados. Entre os 144 incriminados, apenas dois foram condenados depois de três conturbados julgamentos: o coronel Mário Collares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira. Ambos aguardam em liberdade a análise do recurso da sentença, que está sob avaliação da ministra Laurita Vaz, do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Na próxima semana, o MST monta dois acampamento no estado, para cobrar a condenação dos responsáveis pelo massacre e apoio às famílias sobreviventes, com encerramento das atividades no dia 17. Na Curva do S, em Eldorado de Carajás, 500 trabalhadores rurais participam das atividades do Acampamento da Juventude, a partir do dia 10. Em Belém, 600 pessoas estarão mobilizadas depois do dia 14.

''Estamos mobilizados para denunciar que depois de tanto tempo do massacre ninguém foi preso e as famílias ainda não foram indenizadas. Cobramos a indenização de todas as famílias e atendimento médico aos sobreviventes. Defendemos também um novo julgamento para impedir que a morte de 19 companheiros fique impune. Além disso, exigimos a Reforma Agrária para acabar com a violência contra os trabalhadores rurais'', explica o integrante da coodenação nacional do MST, Ulisses Manaças.


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MST:300 São Alfabetizados em Pernambuco

Na próxima terça-feira (16), uma cerimônia simbólica certificará 300 adultos e jovens trabalhadores rurais Sem Terra de Pernambuco, alfabetizados por meio da Campanha Nacional de Alfabetização do MST – Todos e Todas Sem Terra Estudando!" A cerimônia de formatura acontecerá a partir das 19h, no Santuário São José, ao lado da Fafica, em Caruaru.

Os formandos representarão os mais de 2.000 trabalhadores rurais do estado que já foram alfabetizados ou estão em processo de alfabetização por meio da campanha. Além dos educadores e educandos, estarão presentes na certificação o ator Chico Diaz e sua esposa, a atriz Silvia Buarque, a atriz Tuca Moraes, o cônsul de Cuba no Brasil, Sr. Adolfo Nunes Fernandes, e a cônsul da Venezuela em Pernambuco, Sra. Coromoto Godoy.


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MST:Todos Contra a Criminalização do Movimento!

O MST e entidades de direitos humanos promovem entrevista coletiva sobre o processo de criminalização dos movimentos sociais, um dos temas da jornada de lutas por Reforma Agrária, nesta quinta-feira (24), às 14h, no auditório da Ação Educativa, em São Paulo.

Participam da entrevista coletiva o jurista e professor titular aposentado da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), Fábio Konder Comparato, o integrante da coordenação nacional do MST, João Pedro Stedile e o advogado do Movimento Aton Fon Filho.


Entidades de defesa dos direitos humanos, como Terra de Direitos e Justiça Global, apresentam na atividade as denúncias oficiais encaminhadas à ONU (Organização das Nações Unidas) e à OEA (Organização dos Estados Americanos) sobre o processo de criminalização do MST e a violência da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.


Um conjunto de entidades, parlamentares, intelectuais e defensores dos direitos humanos classificou os últimos episódios no Rio Grande do Sul como uma ameaça à consolidação da democracia no país e manifestaram apoio aos trabalhadores Sem Terra.


O Ministério Público Federal em Carazinho acusa oito trabalhadores rurais, que fazem a luta pela Reforma Agrária, de crimes contra a Lei de Segurança Nacional (Lei nº 7.170/1983), que define os crimes contra a segurança nacional e a ordem política e social, sob a ótica de repressão do regime militar. A primeira audiência está marcada para 29 de julho, em Carazinho.


O Conselho Superior do Ministério Público, do Rio Grande do Sul, aprovou relatório que determina a ''dissolução'' do MST no estado. Depois da condenação da iniciativa pela sociedade, o MP-RS recuou, mas seguem as oito ações civis públicas contra agricultores.


O MST realiza uma Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, que denuncia a ofensiva de setores antidemocráticos contra os trabalhadores Sem Terra e reivindica o assentamento das 140 mil famílias acampadas no país e um programa de agroindústria.



- Assine aqui o manifesto contra a criminalização do MST




Serviço
Local:
Ação Educativa
Endereço: Rua General Jardim, 660, na Vila Buarque (próximo ao metrô Santa Cecília) em São Paulo/SP,
Horário: 14h



Fonte: MST

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Frei Henry segue recebendo ameaças de morte no Pará

Gisele Barbieri,
da Radioagencia NP

O advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Pará, Frei Henry é mais um na lista dos 116 ameaçados de morte neste estado até 2006. O religioso que atua no combate ao trabalho escravo e à impunidade nos conflitos agrários, recebeu da polícia militar do município de Xinguara (PA), a informação de que três pistoleiros estariam contratados por R$ 50 mil para matá-lo. A denúncia recebida pela polícia no início de outubro, foi mantida em sigilo pelo serviço de inteligência da corporação para não prejudicar as investigações. Os suspeitos segundo a CPT são fazendeiros da região contrários à atuação do religioso.

Frei Henry está sob a proteção policial, a pedido do governo do estado do Pará, desde fevereiro de 2005, quando já recebia ameaças. Foi nesta época que pistoleiros contratados por fazendeiros da região, assassinaram a missionária Dorothy Stang. Dorothy também denunciava esta violação de direitos humanos do Pará.Segundo Henry, sua rotina de trabalho não foi modificada, mas o fator impunidade para ele contribui com o aumento destas intimidações. O religioso lembra que grande parte dos crimes na luta pela terra está sem nenhuma resposta da polícia e da justiça.

Segundo a CPT nos últimos 35 anos no Pará foram mais de 800 assassinatos no campo, dos quais mais de 50% permanecem sem apuração. Mais de 90 processos criminais foram para a justiça, porém apenas 22 foram julgados e entre os cerca de 20 condenados, apenas um permanece preso.


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CUT, UNE e MST protestam contra presidente da RCTV

Fonte:Portal Vermelho

Protesto em São Paulo reuniu entidades Intitulado "Marcel Granier: persona non grata", o documento lembra que Granier realizou uma campanha de "mentiras, calúnias e ódio" contra o "legítimo e democrático" governo de Hugo Chávez. Na quinta-feira (28), o presidente da RCTV esteve na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado brasileiro para expor a sua versão sobre o fim das transmissões da rede, que estava no ar há 53 anos.

No mesmo dia, uma manifestação relâmpago reuniu 40 lideranças dos movimentos sociais contra a visita. Convidado pelos donos da mídia, Granier fez palestra no Hotel Meliá Mofarrej, em São Paulo (SP), em um "ato em defesa da liberdade de imprensa", organizado por diversas entidades dos magnatas da comunicação. Impedidos "democraticamente" de entrar no recinto, os manifestantes protestaram no hall e em frente ao hotel.

Segundo Carolina Ribeiro, representante do Coletivo Brasil de Comunicação (Intervozes), barrar os ativistas num ato divulgado como público revela qual é a "liberdade" que o evento apregoa. O Intervozes ressalta que a manifestação foi realizada em ''defesa da pluralidade, da diversidade das rádios comunitárias, do acesso aos meios de comunicação e ao conhecimento por toda a população, do fim das oligarquias na mídia''.

Fim do golpismo

A licença da RCTV, encerrada em 27 de maio, não foi renovada por Chávez. Além de ser promotora do golpe de 2002 contra o governo eleito democraticamente, a emissora venezuelana está envolvida com diversos crimes: sonegação de impostos, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, propaganda de prostituição, divulgação de pornografia e apropriação das contribuições previdenciárias de seus funcionários.

Para o presidente da CUT, Artur Henrique, a atitude de Chávez não nega a liberdade de expressão. "O que há na polêmica na RCTV é que ela se utilizou de um só lado da história, incitou um golpe contra Hugo Chávez e não atendeu às prerrogativas de um jornalismo imparcial." Além disso, diz Artur, "não há impedimento legal" para que Chávez não renovasse a concessão da emissora.

O manifesto das entidades sociais também acusa o Senado de dar proteção a Granier. "Repudiamos a posição dos senadores que cometeram este enorme equívoco, ao dar guarida a este golpista", diz o texto. O presidente da RCTV veio ao Brasil a convite do senador tucano Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

O Senado brasileiro já havia aprovado uma resolução criticando o encerramento da transmissão da emissora. Na época, o presidente venezuelano chegou a questionar a autonomia da Casa e a acusou de ser um "papagaio que repete o que diz Washington".

O clima no Senado é de não permitir que a Venezuela ingresse no Mercosul, ameaça Azeredo. "O ingresso no Mercosul prescinde de maturidade democrática", afirma o senador. Em contraponto, Artur Henrique diz que a maturação deveria estar centrada na democratização dos meios de comunicação no Brasil. Um lacuna que, segundo ele, demonstra que a "democracia brasileira está longe de ser para todos".

Leia aqui o manifesto dos movimentos sociais

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