A vitória do gradualismo de Lula.

Por marcosomag

Ajuste monetário do início do primeiro mandato de Lula "chocou" militantes petistas;Governo havia adotado políticas sociais ambiciosas paralelamente ao "ajuste";crescimento econômico acelerado,respeito externo e sucesso de políticas sociais mostram que "gradualismo" foi acerto de Lula.

O governo do Presidente Luís Inácio "Lula" da Silva optou, no seu começo,por uma política econômica de duro ajuste monetário, com manutenção de altas taxas de juro, aumento do superávit primário, adiamento de uma reforma tributária distributivista.A diminuição de recursos disponíveis, causada pela combinação de superávit primário maior e aumentos de taxa de juro causou problemas para a manutenção da estrutura estatal já existente; e inviabilizou, naquele momento,
as reformas estruturais sonhadas pelos setores populares.

Foi um "choque" para os militantes petistas, que esperavam a aplicação célere de um programa
político de esquerda; com aceleração da reforma agrária, queda rápida dos juros básicos da economia, investimentos maciços em saúde, educação e segurança pública,impulso à reforma urbana, dentre outras políticas que sempre foram o sonho dos que acreditavam ser possível um Brasil mais justo.

"É a manutenção da política do PSDB!", diziam.Embora no campo político oposto aos militantes petistas, a imprensa burguesa fazia coro a esse discurso. O Presidente Lula, e as principais lideranças petistas no Governo tentavam acalmar os militantes dizendo que receberam um País em uma situação financeira difícil,
praticamente sem reservas cambiais e portanto, exposto a ataques especulativos do capital financeiro, com
base monetária (dinheiro circulante na economia) "estourada"; e que precisavam tomar medidas
duras agora para implantar um programa reformista mais à frente sem correr maiores riscos quanto à economia. O "choque social" esperado não ocorreu, dando lugar a uma política gradualista.

Com isso, muitos militantes saíram do PT. Alguns, como o deputado Jõao Batista De Araújo, o "Babá",
Luciana Genro e a senadora Heloísa Helena, foram expulsos por votarem contra o Governo no
Congresso Nacional.

O primeiro ano de mandato terminou com um crescimento econômico de 0,5%, com recuo na renda per capita (a
população brasileira cresce 1,5% ao ano). Parecia o fundo do poço.

A decepção pelo não atendimento das demandas sociais desmobilizava militantes. E a população, atingida pelo desemprego,começava a desacreditar do Governo.

Porém, o que muitos militantes não perceberam é que, ao lado da política monetária dura, o Governo havia adotado políticas de benéficio social.
O incentivo às cooperativas de crédito, empréstimos por consignação na rede bancária, aumento real do
salário mínimo e das aposentadorias (mesmo no ano do "ajuste"),a prioridade à organização
dos dispersos programas sociais existentes no Bolsa-Família, aumento das verbas destinadas ao PRONAF, implantação do PROUNI (proporcionando a milhares de jovens pobres acesso à Universidade), implantação do Programa Luz Para Todos, implantação, em associação com ONG's, do programa de construção de 1 milhão de cisternas no semi-árido nordestino ajudaram a minorar o sofrimento dos pobres no difícil ano de 2003. A política social do Governo Lula ambicionava erradicar a miséria no Brasil,e os seus primeiros resultados eram animadores.

Vale lembrar a extinção do famigerado Programa Nacional de Desestatização, recusando um dogma do neo-liberalismo: a privatização. Ao contrário, o Governo promoveu o fortalecimento das empresas estatais remanescentes do vendaval privatista do governo do PSDB, principalmente da Petrobrás.

Contra a fragilidade financeira do Brasil perante os mercados financeiros em um mundo globalizado, começou uma persistente recomposição das reservas cambiais do Brasil, o pagamento integral da dívida com o FMI e o resgate gradual da dívida externa.

Na política externa, a diversificação dos parceiros comerciais do Brasil, a aliança com outros países com graus de desenvolvimento parecidos com o nosso, como a Índia, China e África do Sul, e a inteligente oposição sem confrontação direta com os Estados Unidos Da
América, na América Latina (a firmeza do Governo Lula no apoio ao governo constitucional de Hugo Chávez na Venezuela foi importante, e abriu espaço para outras vitórias de candidatos do campo democrático-popular na América Latina, com Evo Moralez na Bolívia, Tabaré Vázquez no Uruguai e Daniel Ortega na Nicarágua, assim como a confirmação da eleição de René Preval no Haiti contra a vontade dos Estados Unidos, que tentaram acobertar uma monumental fraude eleitoral contra Preval), e até a estabilidade de Néstor Kirschner na Argentina) comprovam que avaliar
o Governo Lula como continuação das políticas do Governo Fernando Henrique Cardoso era um grave engano de parte da militância petistas e de outros militantes de esquerda.

Hoje, com a economia em crescimento acelerado, reservas cambias em US$ 175 bilhões (e aumentando, sem contar as crescentes reservas em euro e ouro (reservas em "ativo real")), livre do FMI e, para
espanto de muitos, com a outrora considerada impagável dívida externa quase quitada, com previsão do Deustsche Bank de que o Estado brasileiro passe a ser "credor externo líquido" em 2009; com 11 milhões de famílias assistidas pelo Bolsa-Família, sem contar outros milhões de brasileiros assistidos pelo PRONAF,
PROUNI, PROJOVEM e outros programas sociais do Governo, com o Brasil tendo uma imagem
de altivez, ousadia e responsabilidade perante o mundo,o Presidente Lula tem o apoio da quase a totalidade do povo brasileiro, inclusive muitos empresários. Apenas uma minoria reacionária que tem como porta-voz uma imprensa também reacionária está "cansada" do sucesso do Presidente-operário.

A aposta de Lula no gradualismo provou ser acertada.

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