Urnas e Luta de Classes

Os mapas eleitorais são excelentes indicadores da realidade. Se olharmos os mapas das eleições de 2004 em S. Paulo, a maior do Brasil, e compararmos com o recente primeiro turno presidencial em todo o país, veremos semelhanças impressionantes. Em 2004, a votação no segundo turno dos então candidatos à prefeitura paulistana, Marta Suplicy e José Serra, vencida por este último, teve significativa diferença entre as regiões mais pobres e mais ricas da cidade.
Para citar alguns exempols: Marta venceu por grande vantagem nos muito pobres bairros de Parelheiros (73,77% a 26,23%), Capão Redondo (63,99% a 36,01%), Itaim Paulista (57,1% a 42,9%) e Campo Limpo (53,12% a46,8%), entre outros.
Já o tucano José Serra obteve vitórias expressivas em bairros de classe média e média alta, como Perdizes (68,74% a 31,26%), Indianópolis (74,16% a 25,84%), Vila Mariana (72,59% a 27,41%) e Saúde (67,81% a 32,19%), por exemplo.
O primeiro turno das eleições presidenciais deste ano revelam a mesma realidade nos estados da federação. Lula contra Alckmin, obteve grandes vitórias nos mais pobres. Exemplos: Pará (51,78% a 41,59%), Bahia (66,65% a 26,03%), Ceará (71,22% a 22,79%). Em Minas Gerais, rica mas com grandes bolsões de pobreza, onde o tucano Aécio Neves se elegeu com folga, Lula bateu Alckmin por dez pontos (50,80% a 40,62%). O tucano ganhou nos ricos S. Paulo (54,20% a 36,77%), Rio Grande do Sul (55,76% a 33,07%) e Paraná (53,01% a 37,90%).
Todos esses números mostram que o Brasil é um país dividido, e sua classe média é egoísta e ignorante. E mais: mostra que a luta de classes está mais viva do que nunca.

Fonte: Jornal Visão Oeste

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