Do suicídio de VEJA

Por: Rita de Cássia Tiradentes

Nessa última edição, a revista Veja declarou a sua morte, tanto no fator credibilidade quanto em um futuro próximo, no fator econômico.A publicação desairosa de um dossiê sem nenhuma comprovação, baseado nas informações fornecido por um contumaz bandido, ligado a todos os tipos de falcatruas no mercado financeiro, contra autoridades democraticamente estabelecidas, não só ofende a todos os brasileiros, como também demonstra o caráter venal e absurdamente inconseqüente de um bando de "jornalistas" condenados ao descrédito e ao esgoto histórico.Muito interessante a tentativa desse órgão de "informação", tentar fazer um jornalismo neo-udenista, nos remetendo ao Carlos Lacerda de triste memória, porém ao contrário deste, mais parecidos com um fantasmagórico Cavaleiro da Triste Figura malévolo.Nas suas quixotescas atitudes, esse panfleto pró liberal, perdeu totalmente o senso de ridículo, ao se demonstrar totalmente afastado do real sentido de JORNALISMO, na sua DIGNA ACEPÇÃO.O desenrolar dessa história que culmina hoje, se inicia nas dívidas gigantescas do grupo Abril, impagáveis mesmo, o que o tornou sensível e, pior subalterno mesmo dos ideais de seus patrões.A que já foi "a revista de maior circulação" no país de longa data vem em um declínio moral e editorial impar na história do jornalismo moderno brasileiro,Remete-me à Manchete e à Editora Bloch, porém essas foram extintas graças ao final da ditadura militar onde, com subserviência absoluta, eram porta-vozes informais, trazendo-nos as idéias de um "Milagre econômico" e de um Brasil "gigante", puramente fantasioso, aliados ao Amaral Netto e a um Flávio Cavalcanti da vida.O crescimento vertiginoso da Veja em substituição à Manchete e ao falecido "O Cruzeiro", das décadas de 60 e 70, gerou uma perspectiva positiva à época, porém o desvirtuamento de sua trajetória, ainda mais com o surgimento de outras revistas como a Isto é e a Senhor, na década de 80, tendo como a produção da revista Época da Globo, parcial, porém mais lúcida; resultaram nesse espectro que perambula pélas bancas de jornais e está sendo oferecido como moeda de compensação pela Abril, nas assinaturas de outras revistas.Recordo-me de momentos onde a imprensa brasileira apresentou algumas belas páginas, como no caso da receita de bolo da capa do Estadão, do velho Jornal do Brasil, do indefectível Pasquim de Jaguar, Ziraldo, Dines entre outros...Outras páginas merecem destaque na batalha pela democratização como os Cadernos do Terceiro Mundo e A HORA DO POVO, com sua forma totalmente genial, por ser irreverente de trazer os desmandos do poder.A Veja, enlameada e trafegando pelo pântano da política, com sua visão (sem trocadilho) deturpada propositadamente, míope e estrábica da verdade, se tornou o que há de mais abjeto no jornalismo brasileiro.Porém isso me apresenta com bons sinais, sinais de mudança.A atuação da Veja irá precipitar a formação de mecanismos auto-reguladores da Imprensa, ser responsável para ser livre, e não ao contrário, ser irresponsável nessa liberdade.A um democrata como eu me assusto a censura, porém também me assusta a inconseqüência a que podemos ser submetidos a qualquer momento. A suspensão do direito de circulação ou o pagamento de pesadas multas indenizatórias poderiam inibir esses desmandos feitos, criminosamente em nome de uma coisa SAGRADA, a liberdade de imprensa.A utilização de órgãos de imprensa para a divulgação de locais de venda de cocaína é um crime, isso é uma unanimidade; porém a divulgação de listas SEM COMPROVAÇÃO, mesmo que admitida, ou seja, a priori, caluniando e difamando alguém também não é crime?Que pesos são esses e que medidas são aquelas?As que espero, com toda franqueza são as mais duras possíveis para podermos, nesse amadurecimento da democracia, coibir e exterminar esse tipo de atitude CRIMINOSA e assumidamente Criminosa de um órgão de IMPRENSA seja qual for e em nome do que e de quem for.Esse extermínio moral e provavelmente físico dessa revista é de vital importância para que surja disso tudo uma nova Imprensa, com os aspectos que todos queremos, ou informativo, com lisura e clareza, ou formativo, com a mesma clareza na confecção de idéias e de opiniões.O que não podemos é continuar nessa "ditadura" dos maus profissionais dessa sagrada profissão - o JORNALISMO.

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1 comentários

  • rita de cassia tiradentes reis  
    16/5/06 6:14 PM

    RECORDAR É VIVER...
    Chegaram-me notícias fresquinhas de uma pequena cidade de Portugal, Barra da Vila Alta, com um caso inaudito, mas de reflexões necessárias.

    Na pequena aldeia lusitana, havia um motelzinho pequeno e afastado do centro da cidade, como todo motel deve ser; bastante discreto para que os moradores da pequena cidade e de seus arredores pudessem “divertir-se” sem maiores complicações e com o sigilo que as travessuras merecem, ainda mais num local tão conservador quanto o Trás os montes portugueses; já que com os tempos modernos, os atos detrás dos montes ou dos matos estavam se tornando muito perigosos ou mesmo arriscados.

    Pois bem, num desses atos condenáveis de oposição ao prefeito, Luiz Silva, um de seus principais adversários, o vereador Ontário Netos, acusado de ter sua campanha política associada ao crime organizado e ao tráfico de drogas, num ato de total irresponsabilidade e vingança absurda, ofereceu ao9 dono do Motel Nossa Senhora de Fátima, os serviços de um cidadão, Francis Ildo, conhecido como bravateiro e fofoqueiro pelos seus vizinhos, na aldeota de Piau, distante do TRÁS OS MONTES.

    Assim que começou a trabalhar no Motel, Ildinho começou, a mando do seu patrão, Ontário, a anotar todas as placas de quem entrava no recinto e a que horas foi e, se possível, com quem.

    O secretário Municipal de Finanças, Antoniel Palhoça, homem pobro, de caráter extremamente íntegro, homem admirado por todos, muito bem casado, pai de um par de filhos muito queridos por todos, havia sido incluído por parceiros de bandidagem de José dos Anjos, traficante barra pesada, que estava associado, segundo dizem a Ontário, numas denúncias sem comprovação de corrupção.

    Na Câmara dos Vereadores municipal, aberto um processo de investigação sobre o caso, Ontário, ao ser acusado por um bedel local, de que haveria provas contra si, num ato tresloucado, resolveu agir.

    Num belo dia, Ildo, sem nenhuma comprovação, disse que havia encontrado o Secretário das Finanças, ele mesmo, Antoniel Palhoça, entrando com um carro dentro do motel e, para espanto de todos inclusive do Secretário, dirigindo o próprio carro.

    Isso era de se espantar, pois, o dito secretário não sabia dirigir, mas isso são detalhes...

    A placa do automóvel, ao ser averiguada pelos investigadores, causou uma imensa surpresa.

    A que Ildo tinha anotado não pertencia ao Secretário e sim, pasmem à digníssima mãe do vereador...

    O problema é que a História tomou outros rumos, o Secretário se demitiu, com o intuito de salvaguardar a honra pessoal, Ontário ficou meio sem rumo, mas continua vociferando asneiras a três por quatro.

    Ildo virou herói municipal e Joaquim Manuel, amante da mãe do vereador, tira melecas do nariz....

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