Que Bicho é Esse???

Por: Rita de Cássia Tiradentes

Seu moço presta atenção;
Eu falo de coração,
Não tenho medo de nada
Sei andar na madrugada,
Como se fosse de dia,
E isso não é valentia.

Mas as coisas tão ficando
Complicadas, tão mudando.
Aqui nessa minha terra
Tem dado de aparecer,
Lá pro alto dessa serra,
Coisa estranha de se ver;

Uns bichos meio assombrado,
Um negócio complicado,
Que não dá para entender,
Umas coisas esquisitas
Que só vendo para crer,
E não é das mais bonitas!

Quem viu, me jura por Deus,
Que no meio desses breus;
Pega, sugando o sujeito
Deixa o cabra anemiado,
Não dá para ver direito
A cara desse safado!

Bicho feio deve ser,
É só vendo para crer.
Desses tempos para cá,
O que eu posso te dizer
É que não dá pra apostar
Quando vai aparecer.

Nas noites de lua cheia
Não é sempre que vadeia,
Nos dias de sexta - feira
Às vezes vem, outras não,
Nem sempre ele dá bandeira
E tem fama de ladrão.

Meu companheiro Zé Pito,
Conhecedor, pelo grito,
Dos bichos da região,
Jura, se bem não me engano,
Que o tal do bicho papão,
Tá parecendo tucano.

Pode ser, bem acredito,
Falo de novo, e repito,
Que por ter bico comprido,
Esse bicho é bem capaz,
Sangrar o desprevinido,
Roubar o pobre rapaz.

Destruir moça donzela,
Não deixando nada dela
,Que possa se aproveitar,
Esse bicho é bem safado,
Gosta de ludibriar,
Deixando tudo acabado.

Me contam, os mais sabido,
Que esse bicho deslambido,
Lá na nossa capital,
Andou fazendo seu ninho,
Deixando o povo bem mal,
Roubando até pobrezinho.

Esse bicho só tem medo
Me contaram esse segredo,
Duma coisa diferente,
Quando no céu se incendeia,
Brilhando prá toda gente,
Uma estrela das vermeia.

Então vamos, minha gente;
Deixar o povo contente;
Acabar com ladroagem
Desse bicho fedorento,
O resto tudo é bobagem,
É palavra de jumento.

É preciso estarmos juntos;
Prá transformar em defuntos;
Esses tucanos ladrão;
chos amaldiçoados,
Nessas terras do sertão;
Devem ser exterminados.

Não falo nem de tiro e guerra,
Pois aqui, na nossa terra;
Disso não tem precisão;
É só não fazer bobagem
Nos tempos dessa eleição,
Expulsar pra outras paragem.

Pois o bicho é arredio
Num guenta passar o frio,
Num guenta sair do ninho,
Nem fica muito contente
Quando vê povo pobrinho,
Pois o bicho num tem dente.

Só tem bico sugador,
Adora ser chupador
Do sangue desses coitado,
ue num tem quem os proteja,
Nós juntos, não tem mais lado,
Apois então, assim seja!

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1 comentários

  • rita de cassia tiradentes  
    21/5/06 11:05 AM

    DOS NOVOS VENTOS OU DO DESPERTAR, NUNCA TARDIO...

    "As revoluções, como os vulcões, têm seus dias de chamas e seus anos de fumaça." Victor Hugo

    Nosso vulcão está em dias de chamas, guerreando por uma revolução que já perdeu quilos de chances de ser feita.


    Não é a revolução de armas, por disputas paroquiais, que já tivemos algumas e nada mudou.


    Nem são os golpes de milicos, batizados de revolução, quando se diz que mudou tudo, mas tudo fica igual. Apenas com novos gerentes no trono, servindo aos mesmos patrões. Esses que o desabafo do governador de São Paulo, Cláudio Lembo, chamou de elite branca... cínica, egoísta, má e perversa.


    São esses -- os donos do bussines poderoso, de jogo pesado e sujo – que, por não abrir mão de nada, século após século, alimentam as muitas impunidades e fomentam as distâncias que separam os brasileiros que nada têm dos que têm tudo, principalmente bons advogados.


    No meio, estamos nós -- a classe média de maioria conservadora, alienada de tudo que não lhe machuque diretamente, louca para integrar a elite branca com todo o seu glamour e, principalmente, todos seus privilégios.


    Assim, nossos companheiros de classe quando conseguem chegar perto do trono, ou sentar nele repetem em cópia aprimorada todo o maledeto comportamento da elite branca – do cinismo à perversidade. Ou não é isso que temos assistido?


    O povo é peão. Fica ali da senzala pra trás, ocupado em se safar cotidianamente de suas desditas e sobreviver até quando uma bala, uma praga ou uma fúria perdida permita. Está sempre na mão de Deus, porque dos seus pares humanos só recebe sobras.


    Brasil afora lá estão eles vegetando sem casa, comida e água descentes. Saneamento básico, saúde, educação e lazer são luxos muito distantes dos C,D e E da nossa pirâmide social – seja interior adentro, seja na periferia das grandes cidades.


    Uns se rebelam, outros se resignam a sonhar. Os rebelados vão para “má vida”, como também definiu a governador paulista, lideram a violenta guerrilha a que todos somos submetidos nos quatro cantos do país e é mais ferrenha no Rio de Janeiro e São Paulo.


    São os chefes, gerentes e soldados do tráfico e das quadrilhas afins. Mãos sujas de sangue, com advogados mambembes, mas sem nada a perder e com toda a estratégia, a tecnologia e os métodos de pressão que a comunicação de massa permite a qualquer um, razoavelmente alfabetizado, aprender e praticar.


    Com o jogo armado assim, a chapa brasileira, que vem quente de muito, anda fervendo com intervalos cada vez mais curtos. Sem mexer no tabuleiro, esfriar não esfria. Fica morna. Mantém a fumaça para lembrar: a brasa continua acessa, pronta para virar fogo.


    Novidade? Nenhuma. Todo mundo vê. Muitos sabem que já passou muito da hora de acabar com o vale tudo generalizado, o faz de conta que estamos indignados e reagiremos a contento.


    Nossa indignação de hoje resume-se em conhecer e transformar em boas piadas truques, manhas e chicanas das elites brancas, seus congêneres e seus advogados.


    Poucos trabalham pela revolução verdadeira -- a do chega de tanta permissividade, tanto cinismo, tanto privilégio, tanta impunidade.


    E a tal da elite branca – a de fato e a de comportamento -, segue confiando que ainda tem gás para esticar mais um pouco a corda. A fumaça de São Paulo diz que não.

    Espetacular esse artigo da jornalista Tânia Fusco, vindo de encontro ao que sempre defendemos, na reviravolta da consciência da classe média, sempre ausente, sempre conivente, portanto, piláticamente tão culpada quanto os principais agentes do esmagamento das nossas camadas sociais mais humildes.

    Esse momento é impar, temos tido algumas manifestações de meã culpa que nos levam a ter uma esperança de que, quem há muito lutou pela dignidade, retorne seus olhos para dentro de si e abandone o canto da sereia das ELITES, para quem todo e qualquer homem e consciência tem seu preço.

    Novamente, Cláudio Lembo retorna com seu discurso, embora mais ameno, libertário com relação à terrível realidade das castas sociais brasileiras:

    Numa entrevista dada ao Estadão hoje, demonstra com ironia a solidão aonde foi deixado pelo aparato governamental; vamos a um trecho desta:

    O que está acontecendo, afinal, entre o senhor e o PSDB?


    Todas as lideranças do PSDB de São Paulo foram muito solidárias, estiveram aqui no gabinete, dialogando, analisando as situações. Quanto ao governador Geraldo Alckmin, que está em campanha por todo o Brasil, certamente teve dificuldades de conexão. Ligou duas vezes e estou muito satisfeito com isso. E mais, ele não ter ligado mais demonstra que ele tem confiança em mim, me respeitou. Não sou tutelado por ninguém e ele entendeu isso. Quero fazer um grande elogio a ele. Ele não ter telefonado mais ou menos, não ter comparecido ao palácio é porque sabe que tenho autonomia, sou presidencialista, sempre defendi a autonomia e respondo pelos meus atos.


    Como foram os momentos da administração da crise?


    Solitários. Fui um homem solitário. Os secretários da área de segurança, meus assessores, alguns jovens que vieram aqui. O resto foi solidão. Mas isso não é uma queixa, não! É uma constatação apenas. Mas sozinho não é acuado. As pessoas conheceram um Cláudio Lembo que foi secretário de Justiça de São Paulo, mas não viram a minha vida quando fui candidato, com momentos difíceis também. Fui candidato a vice-presidente da República pelo PFL junto com Aureliano Chaves e fui traído por todo o partido. Todo o partido se calou, salvo o senador Marco Maciel (PFL-PE). É uma história de traição notável dentro do PFL. Eu nunca disse isso. Mas registrei e sei como é o jogo político-partidário. Eles pensaram que eu ia me calar? Não, há momentos em que se está no topo, no vértice do governo, e é preciso ser claro e nítido."

    Vemos nestas respostas a demonstração do abandono a que foi colocado pela cúpula da tucanagem, e seu abandono, inclusive com a citação da TRAIÇÃO NOTÁVEL que se repete agora.

    Lembro-me de que, Aureliano Chaves, um dos políticos mais dignos, numa rara exceção que justifica a regra, criados pela ARENA, foi um dos artífices, em conjunto com o PMDB, da abertura democrática que AS AS PARTES, SÓ PODERÁ ADVIR DO SOCIALISMO.

    !possibilitou a eleição de Tancredo; que serviu para, pelo menos, encerrar o ciclo ditatorial no Brasil.

    Essa súbita tomada de consciência de alas ligadas ao tucanato, ou a porta-vozes dos mesmos, tem vários significados:

    Em primeiro lugar, a sensação de derrota eminente nas urnas, irreversível e cada vez mais aguda, pode fazer com que, “aliados” de última hora tentem se aproximar do Governo, ou abaixando o tom, ou mesmo passando a elogiara o que antes criticavam.

    Em segundo lugar, como me parece no caso de Cláudio Lembo, numa atitude que lembra a de uma Heloísa Helena às avessas, estar tomando consciência na justa medida do quanto à falta de caráter marca as penas tucanas; em ações e omissões.

    Voltando ao artigo de Tânia, tenho só um comentário a fazer:

    Concordo plenamente contigo, porém venho te lembrar que esse fogo já tem sido combatido, nos últimos três anos, com ações que ainda não são suficientes, porém estão contendo, a cada dia a sangria e invertendo as distorções, criando um halo de esperançapor sobre cada “peão”, cada faminto, cada injustiçado.

    As causas estão sendo indiretamente combatidas com os PROUNI, FIES, FUNDEB, PRONAF entre outros programas de melhoria de vida das classes D e E.

    Com relação à massa faminta e marginalizada, sem nenhuma benesse da cidadania, essa sim, precisa de assistência não só Governamental, mas sim de toda a sociedade, inclusive com a ajuda da abertura das burras das classes dominantes.

    A esses toda A ATENÇÃO, pois é inadmissível irmãos; GUARDE BEM ESSA PALAVRA “IRMÃOS”, brasileiros que precisam sobreviver para terem direito ao mesmo brilho nos olhos e ao mesmo BELO HORIZONTE que hoje os pobres começam a poder visualizar.

    Bem vinda Tânia, que tua análise perfeita prolifere entre os conservadores, inerentemente conservadores da CLASSE MÉDIA que, em última análise também sofre e muito com essa “guerra” quieta, corrosiva, destruidora, onde a única vitória possível, para TODOS NÓS.

    Que Deus esteja sempre conosco!

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